Onde levar turistas internacionais em São Paulo e no Rio de Janeiro
O que os turistas estrangeiros procuram no Brasil?
O Brasil está recebendo mais turistas internacionais, e esse movimento representa uma oportunidade para agências e operadoras que trabalham com receptivo.
Entre janeiro e agosto de 2026, o país recebeu mais de 6,4 milhões de visitantes estrangeiros, que movimentaram US$ 7,4 bilhões, um crescimento de 10,4% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados da Embratur divulgados pela Itatiaia.
São Paulo e Rio de Janeiro estão entre as principais portas de entrada desses viajantes. Mas o que incluir no roteiro de quem chega ao Brasil?
Uma pesquisa da Embratur, em parceria com Visa e Ipsos, ajuda a responder. O levantamento de 2025 mostra que 94% dos visitantes da Argentina, Chile, Estados Unidos, Portugal e Uruguai vieram ao Brasil por motivos pessoais, e o que o visitante de cada país busca muda bastante de um mercado para outro.
Para quem trabalha com turismo receptivo, entender essas diferenças ajuda a oferecer experiências mais alinhadas ao interesse de cada cliente.
Confira as principais motivações identificadas na pesquisa e algumas sugestões de passeios no Rio de Janeiro e em São Paulo.
1. Praia e mar
Quem procura: sol e praia motivam 41% dos visitantes dos cinco mercados, índice que sobe para 60% entre argentinos, 47% entre chilenos e 46% entre uruguaios.
No Rio de Janeiro: Copacabana e Ipanema são o ponto de partida, e o pôr do sol no Arpoador costuma entrar no primeiro dia. Para quem prefere praias com menos movimento, Prainha e Grumari, na Zona Oeste, valem o deslocamento. Os passeios de barco pela Baía de Guanabara mostram a cidade a partir do mar, com parada para banho na Urca ou em Niterói.
Em São Paulo: a capital não tem praia, mas o litoral paulista resolve bem para quem fica alguns dias na cidade. Santos e Guarujá ficam mais perto, enquanto Ubatuba e Ilhabela, no Litoral Norte, pedem pelo menos uma pernoite.
2. Luxo e bem-estar
Quem procura: luxo ou relaxamento também motiva 13% dos visitantes, mas chega a 28% entre os americanos, o principal motivo de viagem desse mercado. O Anuário BLTA 2026 aponta o Rio de Janeiro como o destino mais procurado pelas operadoras de luxo (51%) e mostra que spa e bem-estar aparecem em 93% dos hotéis do segmento (CNN Brasil).
No Rio de Janeiro: os hotéis de frente para o mar em Copacabana, Ipanema e Leblon concentram a oferta de alto padrão, e passeios privativos de barco ou helicóptero completam a estadia. O Leblon também reúne restaurantes de alta gastronomia a poucos quarteirões da praia.
Em São Paulo: Jardins e Itaim Bibi concentram hotéis de alto padrão e restaurantes reconhecidos pela crítica internacional, e a Rua Oscar Freire reúne marcas de moda brasileiras e estrangeiras.
Para esse cliente, exclusividade costuma significar acesso, como um guia privativo que conhece a fundo a história da cidade ou um percurso montado só para o grupo dele.
3. Natureza e aventura
Quem procura: natureza, ecoturismo ou aventura, aparece para 13% dos visitantes, com destaque para chilenos e americanos, ambos com 15%.
No Rio de Janeiro: a Floresta da Tijuca reúne trilhas para diferentes níveis, como a da Pedra da Gávea e a do Pico da Tijuca, dentro da cidade. O Morro Dois Irmãos, com saída pelo Vidigal, entrega uma das vistas mais conhecidas de Ipanema e Leblon em uma subida curta. Para quem procura adrenalina, o voo livre na Pedra Bonita pousa na praia de São Conrado.
Em São Paulo: o Polo de Ecoturismo de Parelheiros e Marsilac, no extremo sul da capital, tem trilhas e cachoeiras de Mata Atlântica dentro do município. A Serra da Cantareira, na zona norte, é outra saída para um dia ao ar livre sem deixar a cidade.
4. Programas curtos para quem visita família e amigos
Quem procura: 12% dos visitantes vêm ao Brasil para encontrar amigos ou parentes, motivação que chega a 30% entre os portugueses e é a principal desse mercado. Esse viajante já tem onde ficar e quem o receba, então procura passeios de meio período que caibam entre os encontros.
No Rio de Janeiro: subir a Santa Teresa de bonde e almoçar por lá ocupa bem uma manhã. A Feira Hippie de Ipanema, aos domingos, e uma roda de samba no fim de tarde funcionam para programas em grupo, com várias gerações juntas.
Em São Paulo: a Avenida Paulista fica aberta só para pedestres aos domingos e vira um passeio fácil para a família inteira. A feira de rua da Liberdade, aos fins de semana, e o Mercado Municipal resolvem o almoço e a tarde.
5. Cultura e gastronomia
Quem procura: 9% dos visitantes viajam por cultura e gastronomia, com destaque para americanos (13%) e portugueses (11%). A própria Embratur orienta valorizar as raízes brasileiras, o patrimônio e o que é típico de cada lugar.
No Rio de Janeiro: na Praça Mauá, o Museu do Amanhã e o Museu de Arte do Rio ficam lado a lado. O Real Gabinete Português de Leitura, no Centro, costuma emocionar o público de Portugal, e os botecos da cidade são uma aula de cozinha carioca.
Em São Paulo: o MASP, na Avenida Paulista, e a Pinacoteca, no Jardim da Luz, reúnem os principais acervos de arte da cidade. Na Estação da Luz, em frente à Pinacoteca, o Museu da Língua Portuguesa conversa diretamente com o visitante português. Na gastronomia, a cidade tem restaurantes de muitas cozinhas e vale reservar com antecedência os mais disputados.
6. Afroturismo: experiências que revelam outras histórias do Brasil
O afroturismo merece atenção especial de quem trabalha com turistas internacionais.
Embora a pesquisa da Embratur não apresente o segmento como uma categoria específica, suas experiências atendem a diferentes interesses dos viajantes, especialmente cultura, gastronomia e passeios privativos.
Para o visitante estrangeiro, conhecer a presença africana na formação do Brasil ajuda a compreender melhor o país. Afinal, essa influência está na música, na gastronomia e em muitas das tradições que fazem parte da identidade brasileira.
Em São Paulo e no Rio de Janeiro, é possível incluir experiências afrocentradas em roteiros que já contemplam os principais atrativos turísticos.
No Rio de Janeiro
A Pequena África, na região portuária, é um dos principais pontos de partida. Ali estão o Cais do Valongo, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco, e a Pedra do Sal, lugar de grande importância para a história do samba.
Algumas experiências que podem entrar no portfólio da sua agência:
Rio de Janeiro Afrocentrado: Corcovado, Pão de Açúcar e Pequena África: dia completo, com até 8 horas, que une os dois cartões-postais à caminhada pela Pequena África, com transporte privativo, guia e ingressos incluídos.
Navegação com Pequena África: cinco horas que começam com barco pela Baía de Guanabara e parada para banho, e seguem a pé do Largo da Prainha à Pedra do Sal. Une mar e história, o que agrada ao público que viaja pelo litoral.
Um Defeito de Cor: A Busca de Kehinde no Rio de Janeiro: experiência dramatizada de três horas inspirada no romance de Ana Maria Gonçalves, da Praça XV à Pedra do Sal.
Rota do Samba Carioca: roteiros sobre a formação do samba na cidade, com opções privativas para grupos pequenos.
Em São Paulo
O Bixiga e o Parque Ibirapuera estão entre os lugares conhecidos pelos turistas que visitam São Paulo. O que muitos ainda não sabem é quanto da história negra da cidade pode ser descoberto nesses espaços.
Itinerâncias Pretas: Caminhada do Bixiga à Bela Vista: o bairro conhecido pelas cantinas italianas foi também o Quilombo da Saracura, onde nasceu o cordão que deu origem à Vai-Vai. Cerca de três horas.
Itinerâncias Pretas: Museu Afro Brasil: visita guiada ao museu do Ibirapuera, com acervo de mais de 8 mil obras sobre a presença africana no Brasil.
Caminhos de Carolina Maria de Jesus: seis horas em Parelheiros, no Polo de Ecoturismo, pela região onde a autora de Quarto de Despejo viveu seus últimos anos, com almoço em um sítio da comunidade.
7. Compras
Quem procura: turismo de compras motiva 5% dos visitantes, mas chega a 12% entre os uruguaios.
No Rio de Janeiro: o Saara, no Centro, é o grande comércio popular da cidade, e os shoppings do Leblon e de Botafogo concentram as marcas de moda. A Feira Hippie de Ipanema, aos domingos, reúne artesanato e design local.
Em São Paulo: a Rua 25 de Março e o Bom Retiro atraem quem busca variedade e preços competitivos. A Rua Oscar Freire e os shoppings da Zona Sul são opções para o público interessado em grifes.
Leve experiências de afroturismo para o portfólio da sua agência.
O interesse dos turistas internacionais abre espaço para diversificar os roteiros e apresentar outras perspectivas sobre os destinos brasileiros.
A Diaspora.Black reúne experiências afrocentradas em São Paulo, no Rio de Janeiro e em outros destinos do Brasil e da América Latina, conduzidas por guias e anfitriões que conhecem de perto os lugares e as histórias que compartilham.
Nossa experiência com o público internacional também passa pela operação de grupos. Na última temporada de cruzeiros, atendemos 297 viajantes estrangeiros que desembarcaram em portos brasileiros.
Para facilitar a comercialização, nossa plataforma está disponível em inglês e espanhol, e contamos com experiências conduzidas por guias que atendem em outros idiomas.
Sua agência pode oferecer desde passeios de poucas horas até programações de vários dias, com o suporte da nossa equipe para encontrar as melhores opções para cada grupo.








