Cofundador da Diaspora.Black, está entre os 100+ Poderosos do Turismo PANROTAS 2026
O afroturismo conquistou mais um espaço importante no trade brasileiro. Nosso cofundador e CEO, Carlos Humberto, foi reconhecido entre os 100+ Poderosos do Turismo PANROTAS Curaçao 2026, lista anual de um dos principais veículos especializados do setor.
A edição deste ano reúne 50 homens e 50 mulheres, sendo 51 nomes estreantes. A homenagem aconteceu durante a ABAV Expo 2026. Para nós, ver o afroturismo representado em uma lista que reúne algumas das principais lideranças do setor diz muito sobre o espaço que esse mercado vem conquistando.
Carlos acompanha essa construção há dez anos, desde quando a palavra afroturismo ainda começava a ganhar forma no Brasil. Nesta entrevista, ele fala sobre o que esse reconhecimento representa e relembra como o segmento foi abrindo espaço no trade, chegando às grandes feiras e à mídia especializada.
DIASPORA.BLACK: O que significa estar entre os 100+ Poderosos do Turismo 2026?
CARLOS HUMBERTO: "É um reconhecimento importante do trabalho que a Diaspora.Black vem desenvolvendo. Como um dos porta-vozes da empresa, vejo nessa homenagem o fruto do trabalho de muitas mãos, feito com muita intensidade e com o apoio de muitos pretos e pretas, sobretudo de quem compõe o nosso time. É o reconhecimento de um trabalho coletivo."
DIASPORA.BLACK: O que foi fundamental para chegar a essa lista?
CARLOS HUMBERTO:
"Confesso que fui surpreendido, mas a Diaspora.Black vem dando uma contribuição muito grande ao mercado de turismo, por meio de ações, produtos e impactos sociais que construímos ao longo dos anos. Acredito que esses resultados vêm trazendo um reconhecimento cada vez mais frequente, e associo a lista a isso."
DIASPORA.BLACK: O que esse reconhecimento diz sobre o lugar do afroturismo no trade brasileiro?
CARLOS HUMBERTO: "Há dez anos, quando começamos, esse termo não existia. Esse mercado estava diluído no conceito de turismo étnico. Em 2018, fizemos um encontro com parceiros da Diaspora.Black, construído por várias organizações, como a Rota da Liberdade e Bernatur, e ali chamamos esse movimento de afroturismo pela primeira vez, sem a pretensão de cravar um conceito ou um mercado.
O termo passou a representar uma atuação ampla no turismo brasileiro e internacional, o turismo feito pela e para a população negra. Ele diversifica os produtos do mercado e valoriza memórias e histórias que antes não eram reconhecidas e contempladas. Também promove o desenvolvimento econômico sustentável de lideranças da comunidade negra. Quando olhamos para esses dez anos, vemos que aquele encontro foi assertivo, assim como os caminhos e os desafios que enfrentamos e que hoje resultam na ascensão do afroturismo."
DIASPORA.BLACK: Como o afroturismo conquistou espaço na mídia especializada?
CARLOS HUMBERTO: "A presença do afroturismo no mercado foi gradativa e resultou de uma mobilização da própria comunidade do afroturismo. Diferentes lideranças começaram a questionar a ausência de pessoas negras nos espaços do setor, das grandes feiras às rodas de debate e premiações, e passaram a ocupá-los. A Diaspora.Black fez parte desse grupo, dialogando diretamente com organizadores e instituições para garantir essa presença. Esses espaços não foram dados, foram conquistados pelas organizações. A mídia especializada foi documentando esse processo à medida que o afroturismo crescia e ganhava reconhecimento.
A lista da PANROTAS se soma a outros marcos da empresa. A Diaspora.Black esteve por dois anos seguidos na premiação da Organização Mundial do Turismo, primeiro com menção honrosa e depois entre as três melhores empresas de turismo. Também foi reconhecida pelo mercado de tecnologia e inovação, recebeu investimentos e está entre as poucas startups do setor que sobreviveram à pandemia. Mais recentemente, ficou entre as cinco melhores empresas de turismo do mundo em uma premiação realizada em Portugal.”
Com a PANROTAS, tivemos uma aproximação muito bacana, que surgiu da mediação de Tania Neres, do envolvimento com o projeto Mentoria Preta e de artigos que enviamos ao portal. Fico muito feliz e honrado por ocuparmos esse espaço e por receber o reconhecimento de um veículo tão importante."

Carlos Humberto é cofundador e CEO da Diaspora.Black. Geógrafo formado pela PUC-Rio, foi fellow do David Rockefeller Center for Latin American Studies, na Harvard Summer School, e passou por organizações como Fundação Vale, Fundação Roberto Marinho, Diretoria de Geografia do IBGE e Instituto Pereira Passos, no Rio de Janeiro. Dedica mais de 15 anos de trajetória acadêmica e profissional ao combate ao racismo e soma 23 anos de ativismo em movimentos sociais negros, com mais de 286 palestras, oficinas e participações em eventos nacionais e internacionais. Criou o projeto Juventude Afrolatina, coordenou o Núcleo Zumbi dos Palmares do Pré-Vestibular para Negros e Carentes e atua como articulador de redes de juventude e de defesa dos direitos de crianças e adolescentes.








