O Sudeste como território de memória, resistência e vivência

Jaqueline Santos • December 26, 2025
A Diaspora.Black, em parceria com a Embratur e a CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina, realizou uma pesquisa inédita dedicada ao afroturismo brasileiro. O estudo nasce do compromisso de transformar o turismo em ferramenta de pertencimento, reparação histórica e impacto real.

No mapeamento nacional, a região Sudeste se destaca pela diversidade e profundidade de experiências afrocentradas. O território concentra iniciativas que conectam história urbana, herança africana, religiosidade, cultura popular, memória ancestral e inovação no turismo de experiência.
Roteiros que passam por centros históricos, comunidades tradicionais, museus, circuitos de memória negra e vivências conduzidas por guias afro-referenciados mostram como o Sudeste se tornou um dos polos mais relevantes do afroturismo no Brasil.
Veja abaixo os nomes da região do sudeste da lista de roteiros mapeados pela Diaspora.Black em 2025: 

SUDESTE
Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos – IPN (RJ)
Associação de Guias de Turismo de Petrópolis (RJ)
Rio Memória Ação (RJ)
Conectando Territórios (RJ)
Etnias Turismo e Cultura (RJ)
Guia Raquel Oliveira (RJ)
Ernesto Turismo Rio (RJ)
Noceci Viagens (RJ)
Quintal de Mãe (RJ)
Desvendando Macaé (RJ)
ATELIÊ BONIFÁCIO (RJ)
Rio Encantos Experiences (RJ)
Mulheres Caiçaras Buzianas (RJ/SP)
Renascença Clube – Centro de Memória Afro (RJ)
Prainha dos Erês – Parque Nacional da Tijuca (RJ)
Circuito da Herança Africana – Pequena África (RJ)
Museu da Memória Negra de Petrópolis (RJ)
Circuito da Memória Negra de Petrópolis (RJ)
Vivências Afro Ecológicas (RJ)
TRAVELLER XP (RJ)
Afrotrip Brasil (RJ)
Okan Educação e Turismo de Experiência (SP)
Rota da Liberdade (SP)
Muro dos Escravizados – Fazenda Bittencourt (SP)
Santuário Nacional da Umbanda – Vale dos Orixás (SP)
Mochilando Afro Culturas (SP)
Turismo Prefeitura de São Paulo (SP)
GUIA NEGRO (SP)
Jornadas Mediadas (SP)
Turismo Barra do Turvo (SP)
Rede Vale do Ribeira – Rota das Cavernas / Quilombos do Ribeira (SP)
Mina Du Veloso(MG)

“O afroturismo brasileiro está vivendo um momento de consolidação no turismo e na história. Realizamos esse mapeamento para mostrar como as iniciativas estão movimentando a cultura, preservando a memória e impulsionando o impacto econômico nas comunidades negras em todo o país. É um retrato de como o afroturismo pode ser ferramenta de reparação, visibilidade e geração de renda. Assim, mostramos que temos um compromisso de conectar os viajantes com os territórios e a história” afirma Carlos Humberto, cofundador da Diaspora.Black.

Experiências de Afroturismo no Sudeste que mais conectam viajantes

As experiências abaixo estão entre as mais buscadas na plataforma da Diaspora.Black.

Rio de Janeiro
Imersão na Pequena África – Circuito da Herança Africana

Imersão na Pequena África – Circuito da Herança Africana


Uma caminhada afrocentrada pela região portuária do Rio de Janeiro, 

reconhecida como berço da cultura afro-brasileira. O roteiro conecta 

arqueologia, memória e história viva, passando por locais como o 

Cais do Valongo, a Pedra do Sal e o Instituto dos Pretos Novos. 

Uma experiência de reconhecimento, escuta e valorização do legado negro.




SAIBA MAIS


São Paulo

Caminhada Encruzilhadas – Centro Histórico


Uma leitura crítica e sensível do centro histórico de São Paulo a partir de narrativas 

negras que foram invisibilizadas ao longo do tempo. A experiência propõe reflexão, 

pertencimento e novos olhares sobre a formação da cidade, conduzida por guia 

afro-referenciada.




SAIBA MAIS


Minas Gerais

Caminhada Afro em Ouro Preto


Uma vivência que revela Ouro Preto a partir da presença negra, conectando arte, 

espiritualidade, trabalho e resistência. O roteiro percorre igrejas, minas e espaços 

simbólicos que reposicionam o protagonismo negro na história da cidade.




SAIBA MAIS


As experiências de afroturismo no Sudeste disponíveis na Diaspora.Black são uma excelente opção para agências de turismo e empresas que buscam oferecer premiações e ações culturais com propósito, impacto e legado.

Conecte-se à Diaspora.Black e leve experiências afrocentradas para seus públicos.

Por Jaqueline Santos 14 de maio de 2026
O que vivemos entre os dias 20 e 25 de março de 2026 foi uma jornada de reconexão e valorização de histórias e identidades. A Diaspora.Black desenvolveu e operou uma série de experiências culturais afro-brasileiras para viajantes internacionais em passagem pelo Brasil a bordo de um cruzeiro. Nesse intercâmbio entre as diásporas do Brasil e dos Estados Unidos, conduzimos 297 viajantes por percursos que revelam as narrativas negras que estruturam a história e a cultura dos nossos territórios.
Por Jaqueline Santos 7 de maio de 2026
De 29 a 31 de maio, o maior festival de cultura e economia preta da América Latina retorna ao Rio depois de uma década, em uma construção coletiva que articula território, memória e futuro.
Por Jaqueline Santos 30 de abril de 2026
O Rio de Janeiro guarda, em seus territórios, camadas de história que o olhar apressado não alcança. A Pequena África, o Cais do Valongo, a Pedra do Sal: lugares onde a memória da diáspora é presença viva, sentida antes mesmo de ser explicada. É nesse território que a Florencios Tours & Travel construiu sua operação. Fundada por Damiana Silva, a DMC carioca especializou-se em experiências culturais que conectam visitantes internacionais à história afro-brasileira com curadoria, responsabilidade e escuta real. Para falar sobre como se constrói uma DMC afrocentrada com consistência e propósito, o papel da comunidade nesse processo, os desafios e oportunidades para receber turistas de fora, a Diaspora.Black conversou com Damiana Silva : DIASPORA.BLACK : Como surgiu a Florencios Tours & Travel e como vocês constroem os roteiros? DAMIANA SILVA: " A Florencios Tours & Travel tem uma trajetória que acompanha a minha própria evolução no turismo. O CNPJ da empresa foi aberto em 2003, inicialmente para atender a uma exigência do mercado — a emissão de notas fiscais para as operadoras e agências com as quais eu já atuava como guia de turismo. Com o passar dos anos, essa estrutura começou a ganhar um novo significado. A partir de 2012, iniciei de forma gradual a operação de serviços diretos ao cliente final, principalmente através de plataformas internacionais. Esse foi um momento importante de transição, onde passei a atuar não apenas como guia, mas também como organizadora da experiência. Em 2016, consolidei parcerias estratégicas que impulsionaram a Florencios como uma operadora de receptivo internacional, ampliando nossa atuação e estruturando o que hoje é a empresa: uma DMC especializada em experiências culturais no Rio de Janeiro. Ao longo de mais de 30 anos de experiência no turismo, percebi uma lacuna importante — a ausência de narrativas profundas sobre a história e a contribuição da população negra na formação do Brasil. É a partir desse entendimento que nasce o propósito da Florencios: conectar culturas através de experiências autênticas, com curadoria, sensibilidade e responsabilidade histórica. A construção dos nossos roteiros segue três pilares principais: base histórica e curadoria consistente, vivência real nos territórios e conexão humana. Cada roteiro é desenhado como uma jornada, integrando lugares como Pequena África, Cais do Valongo, IPN e Pedra do Sal com narrativas que fazem sentido para o visitante internacional — especialmente para o público da diáspora — criando experiências que vão além do turismo tradicional." DIASPORA.BLACK : O que vocês consideram essencial na escolha dos guias e parceiros locais, como as comunidades participam e qual é o impacto real que essa jornada gera para quem vive nesses territórios? DAMIANA SILVA: " Assim como a Florencios foi construída de forma gradual e consistente, a escolha dos nossos guias e parceiros segue esse mesmo princípi o: qualidade, coerência e responsabilidade com a narrativa. O guia, para nós, não é apenas um profissional operacional — ele é um intérprete cultural. Por isso, trabalhamos com três critérios fundamentais: domínio histórico e preparo técnico real, capacidade de comunicação com o público internacional e alinhamento com a narrativa afro-brasileira, com respeito e consciência. Grande parte dos nossos parceiros vem de uma construção de relacionamento ao longo dos anos — instituições culturais, espaços de memória e profissionais que atuam diretamente nesses territórios. A comunidade não é um ponto de passagem. Ela faz parte da estrutura da experiência. Esse modelo gera impacto concreto com: geração de renda direta e recorrente para guias, instituições e iniciativas locais, valorização de espaços historicamente invisibilizados e fortalecimento da memória e identidade cultural desses territórios. Após anos atuando tanto como guia quanto como operadora, ficou muito claro para mim que o turismo pode seguir dois caminhos: o da exploração superficial ou o da construção de valor. A Florencios escolhe, de forma consciente, o segundo." DIASPORA.BLACK : Em março vocês receberam um grande grupo de cruzeiristas estadunidenses que fizeram roteiros pelo Rio de Janeiro. Quais os desafios e oportunidades para receber turistas de fora? DAMIANA SILVA: " Março representou um ponto de consolidação importante da nossa operação. Atendemos 243 visitantes internacionais em poucos dias, em uma operação que envolveu diferentes roteiros simultâneos para passageiros da Celebrity Equinox e do charter do Dave Koz Cruise. Tivemos tanto operações próprias da Florencios, com grupos menores e roteiros altamente personalizados, quanto uma frente ampliada através da parceria com a Diaspora.Black, que foi fundamental para expandir nosso alcance e escalar o volume de passageiros. Ao longo de quatro dias, operamos uma diversidade de experiências que refletem bem o nosso posicionamento: Experiências culturais como Little Africa + Carnaval Backstage, com forte conexão histórica e vivencial. Roteiros clássicos, cuidadosamente executados, como Cristo Redentor com almoço típico brasileiro e Pão de Açúcar. City tours panorâmicos passando por Leme, Copacabana, Ipanema e Arpoador e Imersões urbanas incluindo Escadaria Selarón, Santa Teresa, Cinelândia e Catedral Metropolitana. Para quem construiu a operação de forma gradual, como foi o meu caso, esse tipo de entrega não acontece por acaso — ela é resultado de anos de estruturação, relacionamento com fornecedores e domínio logístico. Os principais desafios nesse contexto são: tempo extremamente limitado das operações de porto, alto volume com necessidade de padronização e consistência, expectativa elevada do público internacional e execução simultânea com múltiplos guias, veículos e roteiros Por outro lado, as oportunidades são muito claras. Existe uma mudança no comportamento do turista internacional — especialmente o norte-americano — que hoje busca mais do que pontos turísticos. Ele busca contexto, história e conexão. E é exatamente nesse ponto que a Florencios se posiciona. Quando conseguimos unir eficiência operacional com profundidade cultural, o resultado não é apenas um passeio bem executado — é uma experiência memorável, com alto potencial de recomendação e retorno. Por fim, é importante destacar que uma operação desse porte só é possível com uma equipe sólida, tanto nos bastidores quanto na linha de frente. Meu agradecimento especial à nossa equipe interna — Isis Magalhães, Milena Lunz e Edson Castro — que garante que tudo funcione com precisão, do planejamento à execução, e também aos nossos guias parceiros, que dão vida a cada experiência com sensibilidade, conhecimento e cuidado. E, no meio de toda essa operação — horários, logística e coordenação — existem momentos que não entram em planilhas. O olhar de alguém ao reconhecer uma história, o silêncio em um lugar de memória, a emoção que surge de forma inesperada. Nesses instantes em que entendemos que não estamos apenas recebendo turistas. Estamos criando pontes. E é isso que dá sentido a tudo o que fazemos." DIASPORA.BLACK : O que esse momento revelou sobre o que acontece quando dois lados da diáspora se encontram? DAMIANA SILVA: " Esse momento trouxe uma confirmação muito clara sobre o nosso propósito. Ao longo dos anos, construímos experiências voltadas para a valorização da história afro-brasileira. Mas, quando recebemos grupos da diáspora, especialmente afrodescendentes dos Estados Unidos, essa experiência ganha uma outra dimensão. O que acontece não é apenas interesse — é identificação. Em lugares como Pequena África, Cais do Valongo ou Pedra do Sal, existe uma conexão que além de ser explicada, ela é sentida. Esse encontro revela três aspectos importantes: a história da diáspora é compartilhada, mesmo atravessando geografias diferentes, existe um forte senso de pertencimento, mesmo em territórios ainda não visitados e há uma busca ativa por reconexão com essas narrativas. Para muitos visitantes, não se trata apenas de conhecer — mas de reconhecer-se dentro daquela história. E para nós, como operadores e anfitriões, isso reforça um ponto central: Não estamos apenas organizando roteiros. Estamos conduzindo experiências que exigem responsabilidade, escuta e profundidade."
Por Jaqueline Santos 27 de abril de 2026
Há projetos que chegam como um briefing e saem como um legado. A visita da equipe e organizações parceiras situadas no Leste Asiático da Open Society Foundations ao Brasil, no início do mês, foi um deles. E a Diaspora.Black garantiu que cada encontro dessa agenda intensa e estratégica acontecesse com cuidado, presença e intenção. A Open Society Foundations é uma das maiores organizações filantrópicas do mundo, dedicada ao fortalecimento de sociedades abertas, inclusivas e democráticas. A visita ao Brasil tinha o propósito de aproximar lideranças do Leste Asiático das experiências e aprendizados de organizações e lideranças brasileiras em poder político feminista, ativismo digital e uso das artes como ferramenta de mobilização. Cinco dias em duas cidades: São Paulo e Rio de Janeiro. Uma programação que exigia muito mais do que logística.
Por Jaqueline Santos 24 de abril de 2026
Portugal nunca esteve no plano original. Quando Carlos Humberto, fundador e CEO da Diaspora.Black, começou a traçar os primeiros movimentos internacionais da startup, o olhar estava voltado para os Estados Unidos, mercado estruturado, com uma diáspora africana economicamente expressiva e historicamente mobilizada pelo turismo de raízes. Mas foi durante visitas a Lisboa e ao interior de Portugal que algo mudou. Não foi uma descoberta turística convencional. Foi um reconhecimento. O tipo silencioso que acontece quando você atravessa uma rua e sente que aquela pedra já foi pisada por gente que carregava a mesma ancestralidade que você. Portugal, país que durante séculos foi um dos maiores operadores do tráfico transatlântico de africanos escravizados, carrega em sua arquitetura, culinária, linguagem e território uma presença negra profunda e sistematicamente apagada dos roteiros turísticos tradicionais. Ali estava um mercado inteiramente por estruturar e uma história esperando para ser contada com novos olhos.
Por Jaqueline Santos 16 de abril de 2026
Existe uma diferença fundamental entre visitar um lugar e pertencer a ele, ainda que por algumas horas. Vila Isabel sempre soube dessa diferença. O bairro não apenas guarda a história do samba, ele a respira, a performa, a transmite pelas calçadas, pelas vozes que ainda ecoam Noel Rosa, pela escola de samba que há décadas carrega o peso e a glória de um povo. É desse território que nasce a Rota do Samba "Os Três Apitos", segundo roteiro do programa desenvolvido pela Etnias Turismo e Cultura em parceria com a Diaspora.Black e patrocínio da Embratur. A primeira rota foi inaugurada em Oswaldo Cruz, no coração de Madureira. Agora, Vila Isabel se torna o segundo capítulo de um circuito estruturado de valorização das territorialidades do samba carioca.
Por Jaqueline Santos 9 de abril de 2026
Série raízes que guiam : como a ancestralidade transforma o turismo
Por Jaqueline Santos 25 de março de 2026
O turismo é um dos setores que mais emprega mulheres no mundo. Segundo a Organização Mundial do Turismo (UNWTO), elas representam cerca de 54% da força de trabalho global. Ainda assim, essa presença é marcada por desigualdades. A base da pirâmide é feminina, enquanto os cargos de liderança seguem majoritariamente ocupados por homens, com uma diferença salarial média de 14,7%. Quando olhamos para o empreendedorismo no setor, as mulheres estão à frente de 57% dos negócios, segundo o IBGE. E as mulheres negras são as protagonistas do Afroturismo no Brasil. Desafios que revelam estruturas Falar de protagonismo exige reconhecer os desafios. Mulheres negras ocupam um lugar onde racismo e sexismo se cruzam. Isso impacta diretamente o acesso a crédito, redes de contato, formação e espaços de decisão. No turismo tradicional, essa desigualdade aparece na baixa presença em cargos executivos de grandes operadoras, redes hoteleiras e companhias aéreas. Ao mesmo tempo, essas mulheres sempre estiveram nos territórios, sustentando práticas, organizando vivências e preservando memórias. Conquistas que apontam um novo caminho O crescimento do Afroturismo no Brasil evidencia uma virada importante. O Mapeamento Nacional do Afroturismo, realizado pela Diaspora.Black em parceria com a Embratur e o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF), mostra que 66,7% das iniciativas do setor são fundadas ou lideradas por mulheres negras. Existe também um alto nível de qualificação. 47% dessas lideranças possuem pós-graduação, combinando formação acadêmica com saberes ancestrais e territoriais. Outro dado revela a força desse movimento. 51% das iniciativas têm até cinco anos de existência. Isso indica um setor vivo, em expansão e impulsionado por uma nova geração de empreendedoras. Por que a mulher negra lidera o Afroturismo? Cada mulher negra carrega na sua trajetória resistências cotidianas e formas de existir que se traduzem diretamente no modo de fazer turismo. Liderança que cuida e sustenta Mulheres negras historicamente sustentam a vida nos territórios. São guardiãs de memórias e saberes. No Afroturismo, isso se traduz em uma gestão que equilibra geração de renda com preservação cultural. Existe responsabilidade, escuta e continuidade. Estratégia construída na vivência Diante de mais barreiras, essas mulheres desenvolvem uma visão ampla do negócio. Atuam em múltiplas frentes. Pensam estratégia, operam, comunicam, gerem e criam. Essa multifuncionalidade se torna um diferencial. Ao mesmo tempo, constroem redes de apoio entre mulheres, fortalecendo cadeias produtivas e promovendo circulação de renda dentro das próprias comunidades. Hospitalidade como experiência de afeto A hospitalidade ganha outra dimensão. Existe cuidado real com quem chega. Escuta, troca, presença. Comer junto, ouvir histórias, compartilhar vivências fazem parte da experiência. Em um mundo em que o racismo ainda atravessa o ato de viajar, criar espaços seguros e acolhedores é essencial. Empreendedorismo com impacto coletivo Existe um compromisso que vai além do lucro. Muitas dessas lideranças priorizam o fortalecimento da comunidade, a redistribuição de renda e a sustentabilidade cultural. O crescimento do negócio caminha junto com o desenvolvimento do território. O impacto é econômico, mas também social e simbólico. Afroturismo como continuidade de vida Para muitas mulheres negras, o Afroturismo não é apenas um trabalho. É continuidade de história, de identidade e de propósito. As experiências carregam vivências pessoais, memórias coletivas e práticas profissionais. Essa conexão cria algo difícil de ser replicado por qualquer pessoa. Um novo paradigma no turismo No Afroturismo mulheres negras criam novos caminhos. E apontam para um futuro onde viajar também é reconhecer, respeitar e se reconectar com histórias que sempre estiveram presentes. Neste Mês da Mulher, nada mais potente do que viver essas experiências a partir de quem as protagoniza. Conheça narrativas de mulheres negras que revelam outras camadas dos destinos e carregam legados de liderança, resistência e construção de território. Acesse aqui
Por Jaqueline Santos 18 de março de 2026
Viajar para o Pantanal já é, por si só, uma experiência extraordinária. A maior planície alagada do mundo revela uma biodiversidade única, paisagens mutáveis e uma conexão profunda com os ciclos da natureza. Mas existe uma dimensão do Pantanal que nem todos conhecem, onde a presença negra foi fundamental na construção da cultura, da economia e dos modos de vida locais. Para agências e empresas que organizam viagens em grupo, este é um convite para apresentar o destino sob uma nova perspectiva, mais autêntica, completa e conectada à cultura local.
Por Jaqueline Santos 9 de março de 2026
O Afroturismo vem ganhando cada vez mais relevância no cenário do turismo brasileiro, ao conectar viajantes a experiências que valorizam a história, a cultura e a herança africana e afro-brasileira, ao mesmo tempo em que gera impacto social e econômico em diversos territórios do país. Nesse contexto, o diálogo com instituições tradicionais do setor torna-se fundamental para ampliar a visibilidade e a integração dessas experiências ao mercado de viagens. Para falar sobre esse movimento e o papel das agências nesse processo, conversamos com Ana Carolina Medeiros, presidente da ABAV Nacional (Associação Brasileira de Agências de Viagens) , uma das entidades mais influentes do turismo no Brasil, que representa e conecta milhares de agências de viagens em todo o país. Na entrevista, ela compartilha sua visão sobre o crescimento do Afroturismo e as oportunidades para o mercado. DIASPORA.BLACK: Por que a ABAV consolidou o Afroturismo como um pilar estratégico na ABAV Expo 2025? ANA CAROLINA MEDEIROS: “Porque a ABAV entende que o turismo está vivendo uma mudança estrutural. Hoje, o viajante busca experiências com significado, identidade e conexão real com os territórios — e o Afroturismo reúne todos esses elementos de forma muito consistente. Ao colocá-lo como pilar estratégico da ABAV Expo 2025, a entidade faz uma leitura clara de mercado: não estamos falando de um tema pontual, mas de um segmento com potencial concreto de negócios, inovação e posicionamento internacional. O Brasil tem um dos maiores patrimônios culturais afrodescendentes do mundo, e isso precisa ser tratado com protagonismo, profissionalismo e visão estratégica. Ao trazer o Afroturismo para o centro das discussões e das negociações, a ABAV cumpre seu papel de liderança institucional, estimulando o trade a olhar para esse ativo de forma estruturada, qualificada e sustentável, conectando diversidade, desenvolvimento econômico e competitividade do turismo brasileiro.” DIASPORA.BLACK: Como a ABAV avalia que a inclusão de experiências afrocentradas pode agregar valor ao portfólio das agências de viagem? ANA CAROLINA MEDEIROS: “Agrega valor porque amplia o portfólio das agências com produtos que fogem da lógica da comoditização. Experiências afrocentradas trazem densidade cultural, narrativa, identidade e propósito — atributos cada vez mais decisivos na escolha de uma viagem. Isso permite às agências oferecer propostas mais completas, personalizadas e alinhadas ao que o consumidor contemporâneo valoriza. Do ponto de vista estratégico, o Afroturismo contribui para diversificar destinos, fortalecer economias locais e criar experiências que estimulam maior permanência e envolvimento do viajante. Para as agências, isso significa diferenciação competitiva, fortalecimento de marca e uma relação mais sólida com públicos que buscam autenticidade, representatividade e responsabilidade na forma de viajar.” DIASPORA.BLACK : Na perspectiva da ABAV, que busca melhorar a qualidade dos serviços oferecidos pelas agências, qual é a importância de contar com parceiros como a Diaspora.Black, comprometidos com a excelência no Afroturismo, com experiências bem estruturadas e seguras? ANA CAROLINA MEDEIROS: “O Afroturismo exige especialização. Não é um produto que pode ser improvisado ou tratado de forma superficial. Ele demanda curadoria, conhecimento histórico, sensibilidade cultural e uma operação bem estruturada. Por isso, contar com parceiros como a Diaspora.Black é fundamental para garantir qualidade, segurança e consistência na experiência oferecida ao viajante. Parcerias desse tipo permitem que as agências ampliem seu portfólio com confiança, trabalhando com operadores que já têm método, repertório e compromisso com boas práticas. Isso eleva o padrão do produto turístico, reduz riscos operacionais e reputacionais e contribui para a profissionalização do segmento como um todo. É assim que se constrói um ecossistema de turismo mais diverso, responsável e competitivo, alinhado às melhores práticas internacionais.”