Diaspora.Black é destaque em matéria sobre o crescimento da Rota do Samba
Jaqueline Santos • November 18, 2025
A Diaspora.Black foi destaque na matéria do Correio da Manha Brasil, sobre a expansão de novas rotas turísticas voltadas para o afroturismo e a valorização da ancestralidade cultural do samba. A reportagem evidencia como o roteiro vem transformando o turismo carioca ao conectar visitantes com a história viva das comunidades negras e com o legado imaterial do samba.
Novas rotas celebram a ancestralidade e fortalecem o turismo afro no Brasil
O turismo brasileiro está em plena transformação. Novas rotas culturais vêm ampliando as possibilidades de vivências autênticas e conectadas às raízes da nossa história. Entre elas, destaca-se a Rota do Samba, um roteiro que celebra a ancestralidade do povo negro e valoriza os territórios que deram origem a um dos maiores símbolos culturais do país.
Diaspora.Black como curadora da Rota do Samba
Com curadoria da Diaspora.Black em parceria com o grupo Guiadas Urbanas, a Rota do Samba tem se consolidado como uma experiência essencial para quem deseja mergulhar nas origens, histórias e resistências do samba carioca. Essa curadoria reflete o nosso compromisso em mapear roteiros afroturísticos, fomentar o potencial das comunidades locais e valorizar suas riquezas inestimáveis em história, cultura, gastronomia e saberes ancestrais.
A iniciativa também fortalece o ecossistema do turismo sustentável e inclusivo, ao conectar visitantes com guias locais, artistas, sambistas e empreendedores de territórios de grande relevância histórica como a Pedra do Sal, o Museu do Samba e os bastidores das escolas de samba.
A experiência propõe uma imersão cultural completa, com narrativa histórica, visita a locai s emblemáticos, acompanhamento de guias credenciados e um olhar sensível sobre a herança africana que moldou o Rio de Janeiro.
Mais do que um passeio, a Rota do Samba é um convite à reconexão com a identidade e à valorização de trajetórias coletivas que mantêm viva a chama do samba e da resistência negra nas cidades brasileiras.
Uma oportunidade para agências e viajantes
Esse crescimento na procura por passeios autênticos no Rio de Janeiro, abre caminho para que agências de viagem e operadoras de turismo ampliem seu portfólio com experiências transformadoras que unem propósito e vivência cultural.
Ao incluir roteiros como a Rota do Samba em suas ofertas, as agências fortalecem o afroturismo e contribuem para o desenvolvimento de uma economia mais diversa e representativa, onde cada viagem se torna uma ponte de aprendizado, troca e pertencimento.
Viva o samba, viva a ancestralidade
A Rota do Samba é mais que uma experiência turística — é uma jornada pela ancestralidade do Brasil, pela potência criativa de suas comunidades e pela memória viva do nosso povo.
Agências de viagem, ofereçam essa experiência transformadora aos seus clientes e ajudem a fortalecer o turismo afro-brasileiro: Rota do Samba Carioca


O Brasil acaba de ganhar mais um reconhecimento no cenário global do afroturismo. Nosso cofundador e diretor de operações, Antonio Pita, foi reconhecido pela organização Most Influential People of African Descent (MIPAD) como uma das 100 pessoas negras mais influentes do mundo em viagens, turismo e hotelaria em 2026. Há mais de dez anos, Antonio atua conectando turismo, cultura negra, diáspora africana e desenvolvimento de territórios. Seu trabalho passa pela formação de profissionais, criação de experiências e apoio a empreendedores, além da construção de diálogo com destinos e instituições. Esse percurso ajudou a ampliar a discussão sobre afroturismo no Brasil e a abrir espaço para novas perspectivas dentro do setor. Nesta entrevista, Antônio fala sobre o significado desse reconhecimento internacional, os caminhos percorridos até aqui e os desafios para fortalecer a conexão do Brasil com os territórios e experiências da diáspora africana. DIASPORA.BLACK: Antonio, o que significa para você estar entre as 100 pessoas negras mais influentes do mundo em viagens, turismo e hotelaria em 2026? ANTONIO PITA: " Fico muito feliz. É um reconhecimento importante, mas que não diz respeito a uma pessoa só. Ele reflete uma construção de mais de 10 anos para estabelecer e demarcar esse segmento no Brasil. Não por acaso, ainda há poucas pessoas brasileiras nessa lista. Até pouco tempo, a conexão entre turismo preto e diáspora africana era praticamente ignorada pelo mercado brasileiro, ou vista sem essa dimensão de mercado e potência internacional. Esse é um trabalho construído pela Diaspora.Black, por mim e por muitas organizações e pessoas que vêm abrindo caminho coletivamente. Lá atrás, o que a gente esperava era justamente isso: criar essa abertura para o mercado internacional e fazer com que o Brasil também fosse reconhecido nesse lugar." DIASPORA.BLACK: O que foi fundamental para chegar aqui? ANTONIO PITA: "Acho que foi fundamental construir um histórico de entregas em diferentes frentes. Desde o começo, a gente provocou a indústria do turismo a olhar para a falta de diversidade, promovendo treinamentos, certificações e trazendo conhecimento para qualificar a hospitalidade. Depois, passamos a olhar também para os destinos, entendendo como eles incorporam os atrativos do afroturismo e as experiências da cultura negra em suas estratégias de promoção e desenvolvimento. Isso fortalece a articulação que a gente vem construindo para o segmento como um todo. Mas talvez o mais importante seja o trabalho com os empreendedores. Conhecer as experiências, os roteiros e os produtos criados por cada um, entender como podem evoluir, ganhar escala e despertar mais interesse tanto dos visitantes quanto dos próprios moradores das cidades. É isso que fazemos com o Laboratório Criativo de Roteiros: articular essa rede de empreendedores e operadores para atuar no afroturismo. Existe um diálogo constante com o poder público, com o mercado, com as agências e com os territórios, sempre buscando entender quais experiências podem ser conectadas nessa cadeia para fortalecer o ecossistema como um todo." DIASPORA.BLACK: A curadoria de grupos internacionais, como o trabalho que fazemos com fundações e outras organizações, teve influência nesse reconhecimento? ANTONIO PITA: "Com certeza. Esse reconhecimento dialoga muito com esse trabalho de curadoria que a gente vem desenvolvendo: construir experiências culturais, roteiros e conexões com os territórios, além da forma como recebemos esses visitantes com qualidade e com impacto real para quem está nos territórios. É esse olhar que levamos para parceiros, organizações e fundações, no sentido de fazer uma mediação cultural. Receber esses grupos passa por entender o que eles desejam conhecer e construir experiências em diálogo com os territórios e com respeito às dinâmicas locais. Essa atuação também fortalece nosso entendimento sobre o que o público estrangeiro e o público da diáspora buscam vivenciar no Brasil. E acho que é justamente essa capacidade de conectar experiência, cultura e território de forma responsável que esse prêmio também reconhece." DIASPORA.BLACK: Que mensagem essa lista deixa para o trade de turismo brasileiro? ANTONIO PITA: "Acho que essa lista também mostra que existem muitos outros nomes importantes do afroturismo brasileiro que poderiam estar nesse reconhecimento. Fiquei ainda mais feliz por esse reconhecimento também destacar o trabalho de pessoas fundamentais para o ecossistema, como Bia Moremi, da Brafrika Viagens, além de Anita Moreau e Martinique Lewis. É uma evidência de que ainda existe um espaço enorme para fortalecer a relação do Brasil com os outros países da diáspora africana e também para o próprio mercado brasileiro olhar para o afroturismo com mais proximidade, mais respeito e entendimento do potencial que esse segmento tem."

Em abril, a série “Raízes que Guiam: Como a Ancestralidade Transforma o Turismo” começou com uma pergunta: o que a hospitalidade ancestral africana ensina sobre a forma como recebemos as pessoas hoje? A matéria mostrou que muita coisa tratada como inovação no turismo já existia há séculos em comunidades africanas. Agora, o segundo encontro da série olha para outro elemento central dessa herança: a oralidade. O que muda quando uma história é contada por alguém que faz parte daquele território? Alguém que cresceu ouvindo aquelas memórias, reconhece os símbolos e entende os silêncios? Essa resposta começa com os griôs.

O que vivemos entre os dias 20 e 25 de março de 2026 foi uma jornada de reconexão e valorização de histórias e identidades. A Diaspora.Black desenvolveu e operou uma série de experiências culturais afro-brasileiras para viajantes internacionais em passagem pelo Brasil a bordo de um cruzeiro. Nesse intercâmbio entre as diásporas do Brasil e dos Estados Unidos, conduzimos 297 viajantes por percursos que revelam as narrativas negras que estruturam a história e a cultura dos nossos territórios.

O Rio de Janeiro guarda, em seus territórios, camadas de história que o olhar apressado não alcança. A Pequena África, o Cais do Valongo, a Pedra do Sal: lugares onde a memória da diáspora é presença viva, sentida antes mesmo de ser explicada. É nesse território que a Florencios Tours & Travel construiu sua operação. Fundada por Damiana Silva, a DMC carioca especializou-se em experiências culturais que conectam visitantes internacionais à história afro-brasileira com curadoria, responsabilidade e escuta real. Para falar sobre como se constrói uma DMC afrocentrada com consistência e propósito, o papel da comunidade nesse processo, os desafios e oportunidades para receber turistas de fora, a Diaspora.Black conversou com Damiana Silva : DIASPORA.BLACK : Como surgiu a Florencios Tours & Travel e como vocês constroem os roteiros? DAMIANA SILVA: " A Florencios Tours & Travel tem uma trajetória que acompanha a minha própria evolução no turismo. O CNPJ da empresa foi aberto em 2003, inicialmente para atender a uma exigência do mercado — a emissão de notas fiscais para as operadoras e agências com as quais eu já atuava como guia de turismo. Com o passar dos anos, essa estrutura começou a ganhar um novo significado. A partir de 2012, iniciei de forma gradual a operação de serviços diretos ao cliente final, principalmente através de plataformas internacionais. Esse foi um momento importante de transição, onde passei a atuar não apenas como guia, mas também como organizadora da experiência. Em 2016, consolidei parcerias estratégicas que impulsionaram a Florencios como uma operadora de receptivo internacional, ampliando nossa atuação e estruturando o que hoje é a empresa: uma DMC especializada em experiências culturais no Rio de Janeiro. Ao longo de mais de 30 anos de experiência no turismo, percebi uma lacuna importante — a ausência de narrativas profundas sobre a história e a contribuição da população negra na formação do Brasil. É a partir desse entendimento que nasce o propósito da Florencios: conectar culturas através de experiências autênticas, com curadoria, sensibilidade e responsabilidade histórica. A construção dos nossos roteiros segue três pilares principais: base histórica e curadoria consistente, vivência real nos territórios e conexão humana. Cada roteiro é desenhado como uma jornada, integrando lugares como Pequena África, Cais do Valongo, IPN e Pedra do Sal com narrativas que fazem sentido para o visitante internacional — especialmente para o público da diáspora — criando experiências que vão além do turismo tradicional." DIASPORA.BLACK : O que vocês consideram essencial na escolha dos guias e parceiros locais, como as comunidades participam e qual é o impacto real que essa jornada gera para quem vive nesses territórios? DAMIANA SILVA: " Assim como a Florencios foi construída de forma gradual e consistente, a escolha dos nossos guias e parceiros segue esse mesmo princípi o: qualidade, coerência e responsabilidade com a narrativa. O guia, para nós, não é apenas um profissional operacional — ele é um intérprete cultural. Por isso, trabalhamos com três critérios fundamentais: domínio histórico e preparo técnico real, capacidade de comunicação com o público internacional e alinhamento com a narrativa afro-brasileira, com respeito e consciência. Grande parte dos nossos parceiros vem de uma construção de relacionamento ao longo dos anos — instituições culturais, espaços de memória e profissionais que atuam diretamente nesses territórios. A comunidade não é um ponto de passagem. Ela faz parte da estrutura da experiência. Esse modelo gera impacto concreto com: geração de renda direta e recorrente para guias, instituições e iniciativas locais, valorização de espaços historicamente invisibilizados e fortalecimento da memória e identidade cultural desses territórios. Após anos atuando tanto como guia quanto como operadora, ficou muito claro para mim que o turismo pode seguir dois caminhos: o da exploração superficial ou o da construção de valor. A Florencios escolhe, de forma consciente, o segundo." DIASPORA.BLACK : Em março vocês receberam um grande grupo de cruzeiristas estadunidenses que fizeram roteiros pelo Rio de Janeiro. Quais os desafios e oportunidades para receber turistas de fora? DAMIANA SILVA: " Março representou um ponto de consolidação importante da nossa operação. Atendemos 243 visitantes internacionais em poucos dias, em uma operação que envolveu diferentes roteiros simultâneos para passageiros da Celebrity Equinox e do charter do Dave Koz Cruise. Tivemos tanto operações próprias da Florencios, com grupos menores e roteiros altamente personalizados, quanto uma frente ampliada através da parceria com a Diaspora.Black, que foi fundamental para expandir nosso alcance e escalar o volume de passageiros. Ao longo de quatro dias, operamos uma diversidade de experiências que refletem bem o nosso posicionamento: Experiências culturais como Little Africa + Carnaval Backstage, com forte conexão histórica e vivencial. Roteiros clássicos, cuidadosamente executados, como Cristo Redentor com almoço típico brasileiro e Pão de Açúcar. City tours panorâmicos passando por Leme, Copacabana, Ipanema e Arpoador e Imersões urbanas incluindo Escadaria Selarón, Santa Teresa, Cinelândia e Catedral Metropolitana. Para quem construiu a operação de forma gradual, como foi o meu caso, esse tipo de entrega não acontece por acaso — ela é resultado de anos de estruturação, relacionamento com fornecedores e domínio logístico. Os principais desafios nesse contexto são: tempo extremamente limitado das operações de porto, alto volume com necessidade de padronização e consistência, expectativa elevada do público internacional e execução simultânea com múltiplos guias, veículos e roteiros Por outro lado, as oportunidades são muito claras. Existe uma mudança no comportamento do turista internacional — especialmente o norte-americano — que hoje busca mais do que pontos turísticos. Ele busca contexto, história e conexão. E é exatamente nesse ponto que a Florencios se posiciona. Quando conseguimos unir eficiência operacional com profundidade cultural, o resultado não é apenas um passeio bem executado — é uma experiência memorável, com alto potencial de recomendação e retorno. Por fim, é importante destacar que uma operação desse porte só é possível com uma equipe sólida, tanto nos bastidores quanto na linha de frente. Meu agradecimento especial à nossa equipe interna — Isis Magalhães, Milena Lunz e Edson Castro — que garante que tudo funcione com precisão, do planejamento à execução, e também aos nossos guias parceiros, que dão vida a cada experiência com sensibilidade, conhecimento e cuidado. E, no meio de toda essa operação — horários, logística e coordenação — existem momentos que não entram em planilhas. O olhar de alguém ao reconhecer uma história, o silêncio em um lugar de memória, a emoção que surge de forma inesperada. Nesses instantes em que entendemos que não estamos apenas recebendo turistas. Estamos criando pontes. E é isso que dá sentido a tudo o que fazemos." DIASPORA.BLACK : O que esse momento revelou sobre o que acontece quando dois lados da diáspora se encontram? DAMIANA SILVA: " Esse momento trouxe uma confirmação muito clara sobre o nosso propósito. Ao longo dos anos, construímos experiências voltadas para a valorização da história afro-brasileira. Mas, quando recebemos grupos da diáspora, especialmente afrodescendentes dos Estados Unidos, essa experiência ganha uma outra dimensão. O que acontece não é apenas interesse — é identificação. Em lugares como Pequena África, Cais do Valongo ou Pedra do Sal, existe uma conexão que além de ser explicada, ela é sentida. Esse encontro revela três aspectos importantes: a história da diáspora é compartilhada, mesmo atravessando geografias diferentes, existe um forte senso de pertencimento, mesmo em territórios ainda não visitados e há uma busca ativa por reconexão com essas narrativas. Para muitos visitantes, não se trata apenas de conhecer — mas de reconhecer-se dentro daquela história. E para nós, como operadores e anfitriões, isso reforça um ponto central: Não estamos apenas organizando roteiros. Estamos conduzindo experiências que exigem responsabilidade, escuta e profundidade."

Há projetos que chegam como um briefing e saem como um legado. A visita da equipe e organizações parceiras situadas no Leste Asiático da Open Society Foundations ao Brasil, no início do mês, foi um deles. E a Diaspora.Black garantiu que cada encontro dessa agenda intensa e estratégica acontecesse com cuidado, presença e intenção. A Open Society Foundations é uma das maiores organizações filantrópicas do mundo, dedicada ao fortalecimento de sociedades abertas, inclusivas e democráticas. A visita ao Brasil tinha o propósito de aproximar lideranças do Leste Asiático das experiências e aprendizados de organizações e lideranças brasileiras em poder político feminista, ativismo digital e uso das artes como ferramenta de mobilização. Cinco dias em duas cidades: São Paulo e Rio de Janeiro. Uma programação que exigia muito mais do que logística.

Portugal nunca esteve no plano original. Quando Carlos Humberto, fundador e CEO da Diaspora.Black, começou a traçar os primeiros movimentos internacionais da startup, o olhar estava voltado para os Estados Unidos, mercado estruturado, com uma diáspora africana economicamente expressiva e historicamente mobilizada pelo turismo de raízes. Mas foi durante visitas a Lisboa e ao interior de Portugal que algo mudou. Não foi uma descoberta turística convencional. Foi um reconhecimento. O tipo silencioso que acontece quando você atravessa uma rua e sente que aquela pedra já foi pisada por gente que carregava a mesma ancestralidade que você. Portugal, país que durante séculos foi um dos maiores operadores do tráfico transatlântico de africanos escravizados, carrega em sua arquitetura, culinária, linguagem e território uma presença negra profunda e sistematicamente apagada dos roteiros turísticos tradicionais. Ali estava um mercado inteiramente por estruturar e uma história esperando para ser contada com novos olhos.

Existe uma diferença fundamental entre visitar um lugar e pertencer a ele, ainda que por algumas horas. Vila Isabel sempre soube dessa diferença. O bairro não apenas guarda a história do samba, ele a respira, a performa, a transmite pelas calçadas, pelas vozes que ainda ecoam Noel Rosa, pela escola de samba que há décadas carrega o peso e a glória de um povo. É desse território que nasce a Rota do Samba "Os Três Apitos", segundo roteiro do programa desenvolvido pela Etnias Turismo e Cultura em parceria com a Diaspora.Black e patrocínio da Embratur. A primeira rota foi inaugurada em Oswaldo Cruz, no coração de Madureira. Agora, Vila Isabel se torna o segundo capítulo de um circuito estruturado de valorização das territorialidades do samba carioca.

O turismo é um dos setores que mais emprega mulheres no mundo. Segundo a Organização Mundial do Turismo (UNWTO), elas representam cerca de 54% da força de trabalho global. Ainda assim, essa presença é marcada por desigualdades. A base da pirâmide é feminina, enquanto os cargos de liderança seguem majoritariamente ocupados por homens, com uma diferença salarial média de 14,7%. Quando olhamos para o empreendedorismo no setor, as mulheres estão à frente de 57% dos negócios, segundo o IBGE. E as mulheres negras são as protagonistas do Afroturismo no Brasil. Desafios que revelam estruturas Falar de protagonismo exige reconhecer os desafios. Mulheres negras ocupam um lugar onde racismo e sexismo se cruzam. Isso impacta diretamente o acesso a crédito, redes de contato, formação e espaços de decisão. No turismo tradicional, essa desigualdade aparece na baixa presença em cargos executivos de grandes operadoras, redes hoteleiras e companhias aéreas. Ao mesmo tempo, essas mulheres sempre estiveram nos territórios, sustentando práticas, organizando vivências e preservando memórias. Conquistas que apontam um novo caminho O crescimento do Afroturismo no Brasil evidencia uma virada importante. O Mapeamento Nacional do Afroturismo, realizado pela Diaspora.Black em parceria com a Embratur e o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF), mostra que 66,7% das iniciativas do setor são fundadas ou lideradas por mulheres negras. Existe também um alto nível de qualificação. 47% dessas lideranças possuem pós-graduação, combinando formação acadêmica com saberes ancestrais e territoriais. Outro dado revela a força desse movimento. 51% das iniciativas têm até cinco anos de existência. Isso indica um setor vivo, em expansão e impulsionado por uma nova geração de empreendedoras. Por que a mulher negra lidera o Afroturismo? Cada mulher negra carrega na sua trajetória resistências cotidianas e formas de existir que se traduzem diretamente no modo de fazer turismo. Liderança que cuida e sustenta Mulheres negras historicamente sustentam a vida nos territórios. São guardiãs de memórias e saberes. No Afroturismo, isso se traduz em uma gestão que equilibra geração de renda com preservação cultural. Existe responsabilidade, escuta e continuidade. Estratégia construída na vivência Diante de mais barreiras, essas mulheres desenvolvem uma visão ampla do negócio. Atuam em múltiplas frentes. Pensam estratégia, operam, comunicam, gerem e criam. Essa multifuncionalidade se torna um diferencial. Ao mesmo tempo, constroem redes de apoio entre mulheres, fortalecendo cadeias produtivas e promovendo circulação de renda dentro das próprias comunidades. Hospitalidade como experiência de afeto A hospitalidade ganha outra dimensão. Existe cuidado real com quem chega. Escuta, troca, presença. Comer junto, ouvir histórias, compartilhar vivências fazem parte da experiência. Em um mundo em que o racismo ainda atravessa o ato de viajar, criar espaços seguros e acolhedores é essencial. Empreendedorismo com impacto coletivo Existe um compromisso que vai além do lucro. Muitas dessas lideranças priorizam o fortalecimento da comunidade, a redistribuição de renda e a sustentabilidade cultural. O crescimento do negócio caminha junto com o desenvolvimento do território. O impacto é econômico, mas também social e simbólico. Afroturismo como continuidade de vida Para muitas mulheres negras, o Afroturismo não é apenas um trabalho. É continuidade de história, de identidade e de propósito. As experiências carregam vivências pessoais, memórias coletivas e práticas profissionais. Essa conexão cria algo difícil de ser replicado por qualquer pessoa. Um novo paradigma no turismo No Afroturismo mulheres negras criam novos caminhos. E apontam para um futuro onde viajar também é reconhecer, respeitar e se reconectar com histórias que sempre estiveram presentes. Neste Mês da Mulher, nada mais potente do que viver essas experiências a partir de quem as protagoniza. Conheça narrativas de mulheres negras que revelam outras camadas dos destinos e carregam legados de liderança, resistência e construção de território. Acesse aqui



