Web Summit Rio 2026: o que o evento revelou sobre o futuro do turismo

Jaqueline Santos • June 23, 2026

A Diaspora.Black esteve no Web Summit Rio 2026, dentro da Startup Island do estande brasileiro, a convite da EmbraturLAB em parceria com o Itaipu Parquetec. A iniciativa reuniu 24 startups selecionadas para apresentar soluções em inteligência artificial, turismo inteligente, sustentabilidade e economia criativa, reforçando o posicionamento do Brasil como um polo de inovação aplicada ao turismo.


Nossa participação marcou a presença de uma startup com dez anos de atuação, com soluções estruturadas para empresas que querem incorporar o afroturismo à sua oferta de valor.

O Web Summit Rio

O evento faz parte da rede global do Web Summit, que também acontece em Lisboa, Doha e Vancouver. A edição de 2026 reuniu mais de 30 mil pessoas no Rio, entre fundadores de startups, investidores, executivos, representantes do poder público e imprensa.


A programação circulou por temas como inteligência artificial aplicada a negócios, sustentabilidade, fintechs, audiovisual e novos formatos de empreendedorismo na América Latina.


No turismo, o evento funcionou como um espelho do que já está em movimento e das soluções que estão ganhando espaço. A programação da EmbraturLAB também mostrou como inteligência artificial, criatividade, música, audiovisual e desenvolvimento regional passaram a fazer parte da estratégia de promoção internacional dos destinos brasileiros.


"O que mais chamou minha atenção foi ver que cada vez mais o setor turístico conta com soluções de tecnologia voltadas para a otimização de operações, cuidado com o meio ambiente e democratização do acesso a viagens."

Priscilla Souza, Analista Sênior de Projetos na Diaspora.Black


Quatro leituras que o Web Summit deixou para o turismo

1. Tecnologia já está dentro da operação

O debate sobre inteligência artificial saiu do campo das ideias e entrou no dia a dia das empresas.


Na Ilha de Startups, o que apareceu foram soluções aplicadas: automação de atendimento no WhatsApp, integração entre sistemas de CRM e pagamento, organização de fluxos internos e apoio na qualificação de leads.

No campo do turismo, a IA muda a forma como roteiros são montados. Sistemas começam a cruzar interesses do viajante com ofertas reais de destino em gastronomia, história local, experiências em comunidades, natureza. Com uma curadoria mais alinhada ao perfil de cada grupo.


E também uma oportunidade para soluções de nicho, como o afroturismo, é documentar as experiências com contexto e narrativa consistente, para ter mais chance de aparecer nessas recomendações automatizadas. A tecnologia distribui o que encontra estruturado.



"Como tendência, a tecnologia será cada vez mais utilizada para despertar o interesse do público em viajar: pela facilidade de personalizar destinos ou com ferramentas de realidade aumentada e virtual que permitem ao viajante se imaginar naquele lugar, alimentando o sonho e o desejo de estar ali pessoalmente."

Priscilla Souza, Analista Sênior de Projetos na Diaspora.Black



2. Sustentabilidade passou a ser critério de escolha

O tema da sustentabilidade apareceu como parte da decisão de negócio. O mercado está mais atento se um destino ou empresa tem práticas responsáveis.

Turismo de base comunitária, fortalecimento de comunidades locais e experiências mais conectadas ao território foram temas recorrentes.


O afroturismo já opera dentro dessa lógica. Quilombos, guias locais, anfitriões e empreendedores negros sustentam cadeias produtivas que mantêm o dinheiro no território e valorizam a experiência a partir de quem vive o lugar. 



3. Cultura virou ativo econômico

Gastronomia, música, audiovisual, patrimônio e festivais foram tratados como produtos com valor de mercado.


O audiovisual apareceu como uma das principais ferramentas de atração de destinos. Histórias bem contadas, produzidas a partir do próprio território, geram mais interesse e credibilidade.


Empresas que contratam experiências para grupos, eventos corporativos ou projetos especiais passaram a considerar na decisão de compra a profundidade cultural da experiência oferecida.

A cultura afro-brasileira tem repertório amplo e pouco explorado em muitas plataformas de turismo. Quando há curadoria consistente, isso se transforma em diferencial competitivo.

4. O que muda é a forma de organizar o que já existe

As startups que mais chamaram atenção não estavam criando algo totalmente novo, e sim resolvendo problemas específicos com mais precisão.

Ferramentas de comunicação via WhatsApp, soluções para pequenas e médias empresas e integrações simples com redes sociais mostraram o ritmo do mercado. Soluções B2B para pequenas e médias empresas se multiplicaram.

A América Latina apareceu como um território de adoção rápida de soluções práticas. O Brasil se destacou como polo de inovação aplicada.

Isso se conecta ao caminho que a Diaspora.Black já vem construindo com sua plataforma, usando tecnologia para organizar a oferta, dar mais visibilidade às experiências e facilitar a conexão entre quem oferece e quem busca vivências com identidade. Agora, com recursos de IA, a plataforma avança para ampliar alcance, qualificar a curadoria e apoiar a expansão do afroturismo de forma mais integrada.


Isso se conecta ao caminho que a Diaspora.Black já vem construindo com sua plataforma, usando tecnologia para organizar a oferta, dar mais visibilidade às experiências e facilitar a conexão entre quem oferece e quem busca vivências com identidade. Agora, com recursos de IA, a plataforma avança para ampliar alcance, qualificar a curadoria e apoiar a expansão do afroturismo de forma mais integrada. 


"A maior parte das soluções que percebi estava dirigida à comunicação das empresas: automação de mensagens, WhatsApp, atendimento. E algo bem legal que aconteceu é que muita gente se surpreendeu com o tipo de empreendimento que é a Diaspora.Black."

Sharon Conceição, Coordenadora de Turismo na Diaspora.Black

O que fica do Web Summit Rio

Chegamos ao evento apresentando a Diaspora.Black como startup com uma década de atuação e um portfólio de soluções para empresas. Saímos com novas conexões, o reconhecimento de parceiros que já fazem parte da nossa rede e a confirmação de que turismo, tecnologia e impacto territorial estão cada vez mais conectados.


A presença na Startup Island também reforçou que o ecossistema brasileiro de inovação está abrindo mais espaço para soluções especializadas, capazes de gerar impacto econômico, fortalecer territórios e ampliar a diversidade da oferta turística.


Quer entender como a Diaspora.Black pode entrar na estratégia de turismo e experiências da sua empresa? Fale com a gente em empresas.diaspora.black.

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O Brasil acaba de ganhar mais um reconhecimento no cenário global do afroturismo. Nosso cofundador e diretor de operações, Antonio Pita, foi reconhecido pela organização Most Influential People of African Descent (MIPAD) como uma das 100 pessoas negras mais influentes do mundo em viagens, turismo e hotelaria em 2026. Há mais de dez anos, Antonio atua conectando turismo, cultura negra, diáspora africana e desenvolvimento de territórios. Seu trabalho passa pela formação de profissionais, criação de experiências e apoio a empreendedores, além da construção de diálogo com destinos e instituições. Esse percurso ajudou a ampliar a discussão sobre afroturismo no Brasil e a abrir espaço para novas perspectivas dentro do setor. Nesta entrevista, Antonio fala sobre o significado desse reconhecimento internacional, os caminhos percorridos até aqui e os desafios para fortalecer a conexão do Brasil com os territórios e experiências da diáspora africana. DIASPORA.BLACK: Antonio, o que significa para você estar entre as 100 pessoas negras mais influentes do mundo em viagens, turismo e hotelaria em 2026? ANTONIO PITA: " Fico muito feliz. É um reconhecimento importante, mas que não diz respeito a uma pessoa só. Ele reflete uma construção de mais de 10 anos para estabelecer e demarcar esse segmento no Brasil. Não por acaso, ainda há poucas pessoas brasileiras nessa lista. Até pouco tempo, a conexão entre turismo preto e diáspora africana era praticamente ignorada pelo mercado brasileiro, ou vista sem essa dimensão de mercado e potência internacional. Esse é um trabalho construído pela Diaspora.Black, por mim e por muitas organizações e pessoas que vêm abrindo caminho coletivamente. Lá atrás, o que a gente esperava era justamente isso: criar essa abertura para o mercado internacional e fazer com que o Brasil também fosse reconhecido nesse lugar." DIASPORA.BLACK: O que foi fundamental para chegar aqui? ANTONIO PITA: "Acho que foi fundamental construir um histórico de entregas em diferentes frentes. Desde o começo, a gente provocou a indústria do turismo a olhar para a falta de diversidade, promovendo treinamentos, certificações e trazendo conhecimento para qualificar a hospitalidade. Depois, passamos a olhar também para os destinos, entendendo como eles incorporam os atrativos do afroturismo e as experiências da cultura negra em suas estratégias de promoção e desenvolvimento. Isso fortalece a articulação que a gente vem construindo para o segmento como um todo. Mas talvez o mais importante seja o trabalho com os empreendedores. Conhecer as experiências, os roteiros e os produtos criados por cada um, entender como podem evoluir, ganhar escala e despertar mais interesse tanto dos visitantes quanto dos próprios moradores das cidades. É isso que fazemos com o Laboratório Criativo de Roteiros: articular essa rede de empreendedores e operadores para atuar no afroturismo. Existe um diálogo constante com o poder público, com o mercado, com as agências e com os territórios, sempre buscando entender quais experiências podem ser conectadas nessa cadeia para fortalecer o ecossistema como um todo." DIASPORA.BLACK: A curadoria de grupos internacionais, como o trabalho que fazemos com fundações e outras organizações, teve influência nesse reconhecimento? ANTONIO PITA: "Com certeza. Esse reconhecimento dialoga muito com esse trabalho de curadoria que a gente vem desenvolvendo: construir experiências culturais, roteiros e conexões com os territórios, além da forma como recebemos esses visitantes com qualidade e com impacto real para quem está nos territórios. É esse olhar que levamos para parceiros, organizações e fundações, no sentido de fazer uma mediação cultural. Receber esses grupos passa por entender o que eles desejam conhecer e construir experiências em diálogo com os territórios e com respeito às dinâmicas locais. Essa atuação também fortalece nosso entendimento sobre o que o público estrangeiro e o público da diáspora buscam vivenciar no Brasil. E acho que é justamente essa capacidade de conectar experiência, cultura e território de forma responsável que esse prêmio também reconhece." DIASPORA.BLACK: Que mensagem essa lista deixa para o trade de turismo brasileiro? ANTONIO PITA: "Acho que essa lista também mostra que existem muitos outros nomes importantes do afroturismo brasileiro que poderiam estar nesse reconhecimento. Fiquei ainda mais feliz por esse reconhecimento também destacar o trabalho de pessoas fundamentais para o ecossistema, como Bia Moremi, da Brafrika Viagens, além de Anita Moreau e Martinique Lewis. É uma evidência de que ainda existe um espaço enorme para fortalecer a relação do Brasil com os outros países da diáspora africana e também para o próprio mercado brasileiro olhar para o afroturismo com mais proximidade, mais respeito e entendimento do potencial que esse segmento tem."
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