O passeio clássico pelo porto de cruzeiro seu cliente já conhece. A cidade que ele ainda não viu, sua agência pode mostrar.

Jaqueline Santos • August 12, 2026

A temporada de cruzeiros no Brasil começa em outubro e segue até março de 2027, movimentando diferentes destinos do litoral brasileiro. Santos, Rio de Janeiro, Salvador, Maceió e Itajaí estão entre os portos que recebem navios durante a temporada.


Para quem viaja de cruzeiro, o tempo em terra é limitado. E, depois de conhecer os principais pontos turísticos de um destino, surge uma pergunta para o cruzeirista e para quem monta o roteiro: o que mais essa cidade tem para mostrar?


É nesse espaço que o Afroturismo ganha relevância.


Experiências afrocentradas revelam territórios de memória, cultura e protagonismo negro que ficam fora dos roteiros tradicionais. Para as agências, essa pode ser uma oportunidade de oferecer ao cliente uma experiência diferente.


Mais repertório para cada destino

O turista de cruzeiro quer aproveitar ao máximo cada parada e viver o destino de um jeito que ainda não experimentou.


O Afroturismo amplia esse repertório.


Em Salvador, por exemplo, uma experiência pelo Pelourinho pode incluir lugares como a Casa do Benin e o Terreiro de Jesus, conectando o visitante a histórias da presença africana e afro-brasileira na cidade.


No Rio de Janeiro, uma caminhada pela Pequena África apresenta um território marcado pela chegada forçada de africanos escravizados e pela formação de manifestações culturais que ajudaram a construir a identidade da cidade.


São experiências que ajudam o viajante a olhar para um destino conhecido por outro ângulo.

O que isso representa para a agência?

Incluir uma experiência de afroturismo em um roteiro de cruzeiro não significa necessariamente substituir o passeio tradicional. É possível somar novas experiências ao que a agência já oferece e criar diferentes possibilidades de produto para o mesmo destino.


Essa estratégia pode contribuir para aumentar o valor do pacote e o ticket médio, além de criar uma nova razão para o cliente escolher novamente a agência em uma próxima viagem.


Para a agência, conhecer novas experiências significa ter mais alternativas para montar roteiros de acordo com o perfil de cada grupo.

Cada porto, uma história para descobrir 

📍 Salvador

Em Salvador, a experiência Mulheres & Revoluções a partir das histórias de mulheres negras e de outras personagens que participaram da construção da cidade e da Bahia.

O percurso passa por referências como Maria Felipa, Joana Angélica, Maria Quitéria, as baianas de acarajé e as mulheres do samba-reggae da Banda Didá. Ao longo do roteiro, história, cultura e religiosidade aparecem conectadas à formação da identidade baiana.

É uma ótima opção para quem já conhece os principais pontos turísticos de Salvador e busca uma experiência com outra perspectiva sobre a cidade.


Outra possibilidade é o Caminho dos Orixás, uma experiência de turismo afro-religioso com duração de 4 horas, organizada em sete trilhas, cada uma associada a um dia da semana e a um orixá. 

A trilha de Oxalá, por exemplo, passa por casas de tradição africana, como a Casa Branca e o Gantois, aproximando o visitante da história e da importância desses espaços para a cultura afro-brasileira.


Conheça 20 opções de experiências de afroturismo em Salvador.


📍 Maceió

Em Maceió, a experiência Maceió Preta caminha pelos espaços que sustentaram a formação da cidade a partir da presença negra, com paradas em pontos que carregam símbolos e histórias raramente contadas no circuito turístico convencional da capital alagoana. O percurso conecta esses marcos à resistência que moldou o centro histórico como ele é hoje.


Saiba mais sobre a experiência Maceió Preta


📍 Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, a Rota do Samba: Vila Isabel Três Apitos percorre ruas, calçadas musicais e monumentos que ajudam a explicar como o bairro se tornou um dos territórios centrais do samba carioca, com recursos de realidade aumentada que aprofundam a experiência ao longo da caminhada. Guiado por especialistas em afroturismo, o roteiro termina em uma roda de samba, em que a música que atravessou o século XX segue sendo vivida no presente.


Outra experiência leva o visitante à Favela da Rocinha, com transfer e guiamento conduzidos por profissionais da própria comunidade. A caminhada percorre os becos e vielas do território até uma laje que abre uma das vistas mais bonitas do Rio de Janeiro.


Conheça outras 50 experiências de afroturismo no Rio de Janeiro. 

Conecte seus clientes a experiências afrocentradas, com curadoria especializada e uma operação preparada para atender o turismo de cruzeiro.

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Na Feira Preta Festival Celebra Viva Pequena África, a Diaspora.Black , em parceria com o BNDES, promoveu dois roteiros novos pela Pequena África: Instituto Pretos Novos e Casarão Cultural João de Alabá. A Pequena África é um reconhecimento do legado africano e afrodescendente na formação do Rio de Janeiro. Quem caminha por esse território encontra múltiplas camadas de memória que podem ser vividas de formas completamente diferentes e, durante o festival, conduzimos os participantes por dois desses caminhos: o da história e da arqueologia, com o Instituto Pretos Novos , e o da espiritualidade e da tradição religiosa, com o Casarão Cultural João de Alabá .
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A Diaspora.Black esteve no Web Summit Rio 2026, dentro da Startup Island do estande brasileiro, a convite da EmbraturLAB em parceria com o Itaipu Parquetec. A iniciativa reuniu 24 startups selecionadas para apresentar soluções em inteligência artificial, turismo inteligente, sustentabilidade e economia criativa, reforçando o posicionamento do Brasil como um polo de inovação aplicada ao turismo. Nossa participação marcou a presença de uma startup com dez anos de atuação, com soluções estruturadas para empresas que querem incorporar o afroturismo à sua oferta de valor.
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Todo mês de agosto, Cachoeira desacelera. Quem chega à cidade nesse período entende o motivo. A cidade do Recôncavo Baiano, com seus casarões coloniais e ladeiras de pedra, se torna cenário de uma das celebrações mais importantes da cultura afro-brasileira. A Festa da Boa Morte não cabe em nenhuma categoria comum de viagem corporativa. Ela convida a participar de uma história construída e preservada por mulheres negras há mais de dois séculos.
Por Jaqueline Santos 27 de maio de 2026
O Brasil acaba de ganhar mais um reconhecimento no cenário global do afroturismo. Nosso cofundador e diretor de operações, Antonio Pita, foi reconhecido pela organização Most Influential People of African Descent (MIPAD) como uma das 100 pessoas negras mais influentes do mundo em viagens, turismo e hotelaria em 2026. Há mais de dez anos, Antonio atua conectando turismo, cultura negra, diáspora africana e desenvolvimento de territórios. Seu trabalho passa pela formação de profissionais, criação de experiências e apoio a empreendedores, além da construção de diálogo com destinos e instituições. Esse percurso ajudou a ampliar a discussão sobre afroturismo no Brasil e a abrir espaço para novas perspectivas dentro do setor. Nesta entrevista, Antonio fala sobre o significado desse reconhecimento internacional, os caminhos percorridos até aqui e os desafios para fortalecer a conexão do Brasil com os territórios e experiências da diáspora africana. DIASPORA.BLACK: Antonio, o que significa para você estar entre as 100 pessoas negras mais influentes do mundo em viagens, turismo e hotelaria em 2026? ANTONIO PITA: " Fico muito feliz. É um reconhecimento importante, mas que não diz respeito a uma pessoa só. Ele reflete uma construção de mais de 10 anos para estabelecer e demarcar esse segmento no Brasil. Não por acaso, ainda há poucas pessoas brasileiras nessa lista. Até pouco tempo, a conexão entre turismo preto e diáspora africana era praticamente ignorada pelo mercado brasileiro, ou vista sem essa dimensão de mercado e potência internacional. Esse é um trabalho construído pela Diaspora.Black, por mim e por muitas organizações e pessoas que vêm abrindo caminho coletivamente. Lá atrás, o que a gente esperava era justamente isso: criar essa abertura para o mercado internacional e fazer com que o Brasil também fosse reconhecido nesse lugar." DIASPORA.BLACK: O que foi fundamental para chegar aqui? ANTONIO PITA: "Acho que foi fundamental construir um histórico de entregas em diferentes frentes. Desde o começo, a gente provocou a indústria do turismo a olhar para a falta de diversidade, promovendo treinamentos, certificações e trazendo conhecimento para qualificar a hospitalidade. Depois, passamos a olhar também para os destinos, entendendo como eles incorporam os atrativos do afroturismo e as experiências da cultura negra em suas estratégias de promoção e desenvolvimento. Isso fortalece a articulação que a gente vem construindo para o segmento como um todo. Mas talvez o mais importante seja o trabalho com os empreendedores. Conhecer as experiências, os roteiros e os produtos criados por cada um, entender como podem evoluir, ganhar escala e despertar mais interesse tanto dos visitantes quanto dos próprios moradores das cidades. É isso que fazemos com o Laboratório Criativo de Roteiros: articular essa rede de empreendedores e operadores para atuar no afroturismo. Existe um diálogo constante com o poder público, com o mercado, com as agências e com os territórios, sempre buscando entender quais experiências podem ser conectadas nessa cadeia para fortalecer o ecossistema como um todo." DIASPORA.BLACK: A curadoria de grupos internacionais, como o trabalho que fazemos com fundações e outras organizações, teve influência nesse reconhecimento? ANTONIO PITA: "Com certeza. Esse reconhecimento dialoga muito com esse trabalho de curadoria que a gente vem desenvolvendo: construir experiências culturais, roteiros e conexões com os territórios, além da forma como recebemos esses visitantes com qualidade e com impacto real para quem está nos territórios. É esse olhar que levamos para parceiros, organizações e fundações, no sentido de fazer uma mediação cultural. Receber esses grupos passa por entender o que eles desejam conhecer e construir experiências em diálogo com os territórios e com respeito às dinâmicas locais. Essa atuação também fortalece nosso entendimento sobre o que o público estrangeiro e o público da diáspora buscam vivenciar no Brasil. E acho que é justamente essa capacidade de conectar experiência, cultura e território de forma responsável que esse prêmio também reconhece." DIASPORA.BLACK: Que mensagem essa lista deixa para o trade de turismo brasileiro? ANTONIO PITA: "Acho que essa lista também mostra que existem muitos outros nomes importantes do afroturismo brasileiro que poderiam estar nesse reconhecimento. Fiquei ainda mais feliz por esse reconhecimento também destacar o trabalho de pessoas fundamentais para o ecossistema, como Bia Moremi, da Brafrika Viagens, além de Anita Moreau e Martinique Lewis. É uma evidência de que ainda existe um espaço enorme para fortalecer a relação do Brasil com os outros países da diáspora africana e também para o próprio mercado brasileiro olhar para o afroturismo com mais proximidade, mais respeito e entendimento do potencial que esse segmento tem."
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Em abril, a série “Raízes que Guiam: Como a Ancestralidade Transforma o Turismo” começou com uma pergunta: o que a hospitalidade ancestral africana ensina sobre a forma como recebemos as pessoas hoje? A matéria mostrou que muita coisa tratada como inovação no turismo já existia há séculos em comunidades africanas. Agora, o segundo encontro da série olha para outro elemento central dessa herança: a oralidade. O que muda quando uma história é contada por alguém que faz parte daquele território? Alguém que cresceu ouvindo aquelas memórias, reconhece os símbolos e entende os silêncios? Essa resposta começa com os griôs.